UA-143444302-1 30 ANOS DE CRISE 1988 - 2018 - DR Almir Pazzianotto Pinto | editora-anjo-oficial

Apresentação

 

            Os artigos que compõem a coletânea foram publicados, no decorrer de 2017 e 2018, em O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense e no jornal eletrônico Diário do Poder. Resultaram de reflexões sobre questões polêmicas de direito do trabalho e a política nacional nos últimos dois anos, com destaque para o impeachment da presidente Dilma Roussef, condenação e prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros de Estado, de senadores, ex-governadores, políticos, empresários, executivos, sindicalistas, doleiros, lobistas e marginais colhidos nas malhas da operação Lava Jato. São filhos da crise: o enfraquecimento do Poder Legislativo, a desmoralização dos partidos, o descrédito da classe política, a depreciação do Judiciário, como fruto de transmissões vivas e coloridas de julgamentos no Supremo Tribunal Federal.

            A campanha que empreendo pela imprensa inspirou-se - guardadas grandes diferenças - em Uma Campanha Alegre de Eça de Queiroz. No primeiro de longa série de textos registra o imortal escritor lusitano referindo-se a Portugal da sua época: “O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso”.

            A crise foi preanunciada com a morte de Tancredo Neves em 21/4/1985. Atônito e despreparado para vencer as dificuldades econômicas e sociais que enfrentaria durante 5 anos de governo (1985-1990), José Sarney pavimentou o caminho para Fernando Collor impor surpreendente derrota a Leonel Brizola e Lula. A irrefreável vocação cesarista do impetuoso alagoano, aliada à aventura do Plano Collor, abreviou a vida do primeiro governo eleito sob a Constituição de 1988. Conduzido à presidência, o vice Itamar Franco assegurou a vitória a Fernando Henrique Cardoso contra Lula na eleição de 1994. 

            O êxito do Plano Real não bastou para FHC fazer de José Serra o sucessor. Luiz Inácio Lula da Silva, o metalúrgico que seduziu religiosos, classe média, o mundo universitário, escritores, artistas e operários, inspirou-se no modelo populista-demagógico latino-americano para governar. O falso milagre iludiu durante 12 anos. Assim Lula se reelegeu e elegeu duas vezes Dilma Roussef. A irresponsabilidade, aliada à incompetência e à corrupção, evidenciaram-se no segundo mandato. Afastada Dilma, assumiu Michel Temer, que tentou superar o atraso. Como aconteceu com José Sarney, deixará o governo marcado por impopularidade que lhe não faz justiça. Fez o possível, como a reforma trabalhista, mas, umbilicalmente vinculado à vocação fisiológica do PMDB, comprometeu-se ao escolher os auxiliares.

            A eleição de Jair Bolsonaro foi a vitória da rejeição. O eleitorado repudiou o PT, o PCdoB, o PSOL e demais partidos extremistas aliados, por fazer fé na mensagem de restabelecimento da ordem e da segurança. Bolsonaro encontra o País em profunda crise. É impossível saber como procederá para recuperar o equilíbrio das finanças públicas, reanimar o desenvolvimento, gerar milhões de empregos, cuidar da saúde, da educação, da segurança, da infraestrutura e, sobretudo, erradicar a corrupção e a criminalidade. Nada há mais fugaz do que mandato eletivo. Começa a se esvair no dia da posse, em acelerada contagem regressiva.

            Em 2018 a Nação acreditou em Jair Bolsonaro. As esperanças são de que acerte. Se fracassar, 2022 nos devolverá aos braços do PT.

 

            São Paulo, dezembro de 2018.

           

 

            Almir Pazzianotto Pinto

30 ANOS DE CRISE 1988 - 2018 - DR Almir Pazzianotto Pinto

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